Movimento dos Focolares

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«Que o novo centro académico, que pretende promover um autêntico pensamento cristão capaz de conjugar fé e razão, favoreça uma visão mais ampla e integral do saber, propensa ao diálogo com as outras religiões e culturas, para o crescimento intelectual e interior das novas gerações».

Foi este o telegrama enviado pelo Papa para o Centro académico - o Instituto Universitário Sophia - que foi inaugurado no passado dia 1 de Dezembro em Loppiano, a Cidadela internacional do Movimento dos Focolares.

O telegrama, assinado pelo Secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone, foi recebido com um caloroso aplauso, e foi lido pelo Grande Chanceler do Instituto Sophia, o arcebispo de Florença, D. Giuseppe Betori, diante de 2000 pessoas: reitores e personalidades académicas provenientes de vários países - Índia, EUA, Tailândia, Quénia, Japão, Venezuela, Costa Rica -, interessados em colaborar a nível cultural. Estavam também presentes representantes do mundo político - embaixadores, deputados, administradores locais - e do mundo ecuménico e inter-religioso - do Islamismo, Judaísmo, Hinduísmo e Budismo.

 

O Papa Bento XVI, para expressar o seu "caloroso apreço" por esta iniciativa cultural, recordou o facto de ter sido "fortemente desejada por Chiara Lubich".

 

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Emaús Maria Voce, actual presidente do Movimento dos Focolares e Vice-chanceler deste Instituto Universitário, afirmou que este evento "representa a realização de um grande sonho que Chiara ansiava fortemente desde os anos 60. Este sonho - continuou - era alimentado pela sua plena consciência de que o carisma da unidade, que tinha recebido do Espírito santo, continha em si um tal património de Luz, que viria a dar origem a uma doutrina", a uma nova escola de pensamento.

Foi Chiara quem escolheu, para o novo Instituto Universitário, o nome de Sophia, porque o seu objectivo é adquirir uma Sabedoria que possa influenciar as várias disciplinas: filosofia, teologia, economia, ciências, medicina e política, de modo a fazer crescer uma autêntica e integral humanidade.

 

O Grande chanceler D. Giuseppe Betori, arcebispo de Florença, sublinhou a dimensão comunitária da cultura, afirmando que "não se pode perceber na realidade o significado de fazer cultura se não se perceber a importância da vida comunitária. Por esta razão, a universidade é constituída por docentes e estudantes. Uma nova instituição universitária, de clara inspiração cristã, é uma importante oportunidade não só para quem dela faz parte mas também para a sociedade italiana".

 

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Vivemos "num tempo habitado, como nunca, pela experiência angustiante da fragmentação e da multiplicidade, e que dificilmente consegue intuir os caminhos que levam à produtividade do encontro e do diálogo", sublinhou Mons. Piero Coda, Presidente do novo centro académico. Com o Instituto Sophia apresenta-se uma proposta inovadora: fazer com que as ciências alargarem o espaço à racionalidade e as culturas e religiões se encontrem "numa desarmada abertura ao mistério de Deus e de uns para com os outros, para construir a paz entre os homens".

 

Várias personalidades do mundo da cultura e da ciência manifestaram a esperança que nasce do Instituto Sophia, caracterizada pelo encontro entre o estudo e a vida. O prof. Anthony Cernera dos EUA, Presidente da Federação internacional das Universidades católicas, indicou a superação entre coração e razão como "um dos desafios fundamentais do nosso tempo". O papel académico - sublinhou - não diz respeito só à razão. A educação da pessoa deve abraçar toda a pessoa".

 

O físico Ugo Amaldi falou das chocantes questões da engenharia genética, os organismos geneticamente modificados no campo agrícola e a energia nuclear, que põem em causa decisões políticas e a participação democrática. Apresentou ao recém-nascido Instituto Universitário um desafio: ser "lugar de confiança" para uma confrontação entre cientistas, técnicos e cidadãos, não inquinado de interesses e de suspeitas. Objectivo este que o cientista vê alcançável no "terreno fértil de Loppiano" onde nasce o IUS: "porque aqui, neste lugar, a confiança intelectual tem as suas raízes no amor recíproco. Aqui, os cidadãos podem viver de uma forma nova a sua pertença a uma sociedade que precisa de tecnologias complexas, onde se possam informar e debater, com a certeza de não serem manipulados".

 

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Este estilo de reciprocidade foi sublinhado pelo escritor e jornalista Senador Sérgio Zavoli, que recordou Chiara Lubich: "Aquilo que lacera os homens e os seus relacionamentos, é a ideia que a nossa vida habita no arquipélago de inúmeras ilhas, onde cada uma das quais está cada um de nós, que vê a humanidade na sua própria sombra, confiando apenas nela. Com Chiara, História e Profecia interpelam-nos sobre como actuar para reunir os fragmentos do ‘invisível': a pessoa, recompondo as estruturas do "partilhável", a comunidade. "Chiara ofereceu ao Instituto Sophia - disse ainda Zavoli - a possibilidade de dar sentido, isto é, um objectivo, à necessidade de nos conhecermos para conquistar, sempre, aquela metade de nós próprios que habita no outro".

 

A urgência de recompor a fragmentação foi evidenciada também pelo cardeal Grokolewski, prefeito para a Educação católica, numa sua densa mensagem lida pelo secretário do Vaticano, D. Vicenzo Zani. "Numa universidade assinalada pela parcialização e pela funcionalidade dos processos cognitivos, é necessário oferecer percursos académicos que tendam para a unidade do saber, construída através da paciente e rigorosa procura interdisciplinar, iluminada pela mensagem evangélica". E definiu este objectivo do Instituto Universitário "uma força intelectual e moral, destinada a difundir os seus efeitos positivos em benefício de toda a humanidade". Para o cardeal esta "qualificada instituição académica é particularmente idónea para responder à necessidade de um novo humanismo".

 

Os primeiros protagonistas desta nova iniciativa cultural são os estudantes. Foi incisivo o seu testemunho ao qual foi dedicado amplo espaço durante a tarde. Benedicte Ingalite Batabana do Congo, licenciada em filosofia, representante dos estudantes, afirmou: "A transdisciplinaridade e a dinâmica intercultural do Instituto Sophia são a resposta às minhas exigências mais profundas. Uma vida fundada sobre o amor recíproco - declarou - é o húmus necessário para um estudo que se torna lugar de uma maior inspiração, que gera novas compreensões. Estamos conscientes de que, é experimentando este novo humanismo nascido do Evangelho, que nós poderemos ser expressão de um novo modo de pensar ao serviço das expectativas da humanidade".

 

Actualmente emergiram novas perspectivas de colaboração e de intercâmbio, no encontro do corpo docente do Instituto Sophia, com os reitores de algumas faculdades que durante os últimos anos conferiram a Chiara Lubich um doutoramento honoris causa: a Sacred Heart University de Fairfield Connecticut (EUA), a Liverpool Hope University (Grã Bretanha), A Universidade Católica Cecilio Acosta de Maracaibo (Venezuela); a Universidade Pontifícia S. Tomás de Manila (Filipinas), o Instituto Claretianum da Universidade Pontifícia Lateranense de Roma. O comum empenho é de promover intercâmbios e encontros informais, mas continuados, entre "os amigos de Sophia" como foram definidos os reitores. Seguiu-se um momento de partilha entre os 50 docentes universitários presentes na inauguração, concluindo com o empenho não só de dar início a uma colaboração, mas também de se tornar instrumentos de uma presença viva e eficaz da sabedoria nos próprios centros universitários, como concluiu a vice-chanceler Maria Voce.